Documentário – “Eu, Oxum”.

O Candomblé é uma religião que sofre muitos ataques indevidos e intolerantes. Apagado em seu canto e com seus segredos, muitas pessoas escondem os seus sentimentos em relação ao Orixá de cabeça (Òrìsà t’orí). Diferente dos evangélicos que sempre estão batendo no peito, dando depoimentos e se orgulhando de sua fé.

Sim, há pessoas no Candomblé e na Umbanda, que também são orgulhosas de suas crenças e práticas religiosas, mas sabemos que são poucas. E dessas poucas nasceu um documentário que mostra a beleza de nossa fé: o curta Eu, Oxum.

Trata-se de um curta independente dirigido por Héloa e Martha Sales. Ele narra o dia-a-dia de seis filhas de santo  de Oxum, orixá do amor e tantas outras qualidades e atributos!

Acompanhando o terreiro Ilê Axé Omin Mafé, na pequena cidade de Riachuelo (SE), as diretoras contam as histórias de inserção na religião, respeito às hierarquias, fé e os preconceitos sofridos pelas personagens.

Elas deram uma entrevista para o site Brasil de Fato, estaremos reproduzindo aqui para os leitores e alunos da Educa Yoruba.

Brasil de Fato: Como surgiu a vontade de fazer este curta e abordar histórias de mulheres de Oxum?

O desejo de fazer esse filme partiu da minha própria experiência de conexão com este lugar e essas mulheres e isso foi se tornando cada vez mais forte, no retorno, em vários retornos que eu fiz para Sergipe, para me cuidar espiritualmente e conviver nesse Ilê, que é o Ilê Axé Mafé.

Quais foram as maiores dificuldades?  

As dificuldades foram algumas. É um filme produzido de maneira independente. Então eu passei 20 dias na estrada, em busca de retratar esse filme, pegando os diálogos, pegando os depoimentos e até mesmo registrando as condições do espaço, do lugar. As dificuldades maiores foram de perpetuar esse espaço. Eu, enquanto filha da casa, em um outro papel, enquanto diretora do filme junto com a minha mãe Martha Sales, e entender toda relação de hierarquia que se constrói, de respeito aos espaços sagrados, até onde a gente poderia filmar, o que poderia ser registrado.

Qual a importância que você vê no documentário em relação a questão da intolerância religiosa, já que tivemos tantos casos este ano?  

Nós estamos vivendo um momento de muito retrocesso no país, de muito racismo religioso, que vai para além da intolerância religiosa, que é a relação de tudo que vem dessa matriz africana, principalmente as religiões de matriz africana: a umbanda, o nagô, o candomblé.  São vistas também através dessa perspectiva do racismo religioso, onde nós não podemos professar a nossa fé porque tudo aquilo que é de negro, que é advindo da África, é visto como ruim, muitas vezes como algo demonizado.

Eu acho que trazer a tona essa coisa mais pura, mais leve, como eu tentei trazer no documentário, junto com a minha mãe, Martha Sales, que assina o roteiro e a direção do filme, é uma forma de quebrar paradigmas, uma forma de até mesmo acolher e de provocar., para que outras pessoas possam se apropriar desse discurso e falar desse lugar de fala de quem vivencia, de quem nasceu ou de quem perpetua a força através do candomblé ou das religiões de matrizes africanas.

Fonte: Brasil de Fato

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